Conheça a cidade

Conheça a cidade (2)

Cachoeira Véu de Noiva - Chapada dos Guimarães.

A fundação oficial do núcleo que originou o atual município de Chapada dos Guimarães deu-se no ano de 1751. 

O primeiro homem branco a instalar-se em Chapada dos Guimarães foi o paulista Antônio de Almeida Lara que, por volta de 1722, abrindo a sua fazenda, depois engenho do Buriti. Lara chegou a Cuiabá em 1720 numa das levas de bandeirantes pioneiros. Em 1721, como fazia pesquisas auríferas Rio Coxipó acima, tudo leva a crer tenha sido ele um dos fundadores do Arraial da Forquilha. 

A primeira denominação foi Sant’Ana da Chapada, nome da célebre missão dos jesuítas comandada pelo padre Estevão de Castro. Mais tarde, o nome foi alterado para Chapada de Cuiabá. Não demorou muito e o nome foi novamente modificado, desta feita para Sant’Ana da Chapada de Guimarães. 

Nesta ocasião governava a Capitania de Mato Grosso o Capitão General Luíz Pinto de Souza Coutinho - Visconde de Balsemão, que, acatando sugestão de portugueses naturais da cidade de Guimarães, acrescentou à denominação de Sant’Ana da Chapada o termo "de Guimarães". Outra fonte dá o termo como homenagem ao Duque de Guimarães, por imposição do mesmo Visconde de Balsemão. 

Em 1814, o povoado foi elevado à categoria de Freguesia. Através da Lei Provincial nº 219 de 11 de dezembro de 1848, a localidade transformou-se em Distrito Administrativo. O Distrito de Paz de Chapada foi criado em 1875. 

O município, com o nome de Chapada dos Guimarães, foi criado em 15 de dezembro de 1953, através da Lei Estadual nº 701. 

Em 1994, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso pretendeu retornar a denominação de Chapada dos Guimarães para Chapada de Guimarães. A lei foi vetada pelo executivo permanecendo Chapada dos Guimarães. 

 English - HISTORY 

The official founding of the core that originated the current municipality of Chapada dos Guimarães took place in the year 1751. 

The first white man to settle in Chapada dos Guimarães was in São Paulo Antonio de Almeida Lara that, by 1722 he opened his farm, after the engine Buriti. Lara came to Florence in 1720 on a wave of pioneers of pioneers. In 1721, as did research auriferous Rio Coxipó above, it seems he has been one of the founders of the Festival of the fork. 

The first name was St. Anne Chapada, name of the famous mission of the Jesuits led by Father Stephen de Castro. Later, the name was changed to Plateau de Cuiabá. Before long the name changed again, this time to St. Anne Chapada of Guimarães. 

On this occasion ruled the captaincy of Mato Grosso Captain General Luiz Pinto de Sousa Coutinho - Viscount Balsemão that, respecting natural suggestion Portuguese city of Guimaraes, added the name of St. Anne's Chapada the term "de Guimarães". Another source gives the word as a tribute to the Duke of Guimarães, by imposing the same Viscount Balsemão. 

In 1814, the village was elevated to parish. Through the Provincial Law No. 219 of December 11, 1848, the town became Administrative District. District Peace Plateau was created in 1875. 

The council, with the name of Chapada dos Guimarães, was created on December 15, 1953, by the State Law No. 701. 

In 1994, the Legislative Assembly of Ontario intended to return the name to Chapada dos Guimarães Chapada of Guimarães. The bill was vetoed by the executive remaining Chapada dos Guimarães. 

Español - HISTORIA

Maria Rita V. Ferreira Uemura

Clima serrano em Chapada dos Guimarães



La fundación oficial de la base que dio origen al actual municipio de Chapada dos Guimarães tuvo lugar en el año 1751. 

El primer hombre blanco en asentarse en Chapada dos Guimarães fue en São Paulo Antonio de Almeida Lara que, en 1722 abrió su granja, después de que el motor Buriti. Lara llegó a Florencia en 1720 en una ola de pioneros de pioneros. En 1721, al igual que la investigación aurífera Río Coxipó anterior, parece que ha sido uno de los fundadores del Festival del tenedor. 

El primer nombre fue Santa Ana Chapada, nombre de la famosa misión de los jesuitas, encabezados por el Padre Esteban de Castro. Más tarde, el nombre fue cambiado a Plateau de Cuiabá. Antes de cambiar el nombre largo, esta vez a St. Anne Chapada de Guimarães. 

En esta ocasión falló la capitanía de Mato Grosso, el capitán general Luis Pinto de Sousa Coutinho - Vizconde Balsemão que, respetando sugerencia natural de la ciudad portuguesa de Guimaraes, añadió el nombre de la Chapada de Santa Ana el término "de Guimarães. Otra fuente da la palabra como un homenaje al Duque de Guimarães, mediante la imposición de la Balsemão Vizconde mismo. 

En 1814, la villa fue elevada a parroquia. A través de la Ley Provincial N º 219 de diciembre 11 de 1848, la ciudad se convirtió Administrativo Distrital. Distrito de Paz de la Meseta se creó en 1875. 

El Consejo, con el nombre de la Chapada dos Guimarães, fue creado en diciembre 15, 1953, por la Ley N º 701 del Estado. 

En 1994, la Asamblea Legislativa del Distrito Federal destina a devolver el nombre de la Chapada dos Guimarães Chapada de Guimarães. El proyecto de ley fue vetado por el Ejecutivo restantes Chapada dos Guimarães.

 

Chapada dos Guimarães é um município brasileiro do estado de Mato Grosso.

Já foi considerado o maior município do mundo, devido ao seu território anterior com cerca de 269 mil km². O município de Chapada dos Guimarães deu origem a municípios como Alta Floresta, Colíder, Sinop, Nova Brasilândia, Paranatinga e outros. Possui vários pontos turísticos como, por exemplo, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, com cachoeiras, cavernas, lagoas e trilhas em meio a uma natureza típica de cerrado, vegetação predominante na cidade.


Turismo

Chapada dos Guimarães tem tem vários atrativos turísticos: 46 sítios arqueológicos; dois sítios paleontológicos; 59 nascentes; 487 cachoeiras; 3.300 km² de Parque Nacional; 2.518 km² de Área de Proteção Ambiental; duas reservas estaduais; dois parques municipais; duas estradas-parque; 157 km de paredões; 42 imóveis tombados pelo Iphan; 38 espécies endêmicas.

O artesanato local é uma das referências na cidade, com vários artesãos locais que chegaram ou nasceram na cidade e, que ali, foram crescendo e vivendo do artesanato, que é exposto em praça pública de terça-feira a domingo para os habitantes e turistas. Existe um projeto de uma "Rua do Artesanato", que visa criar um local específico para os artesãos, mas nada projetado ainda. Além de todas estas opções, o município conta com o turismo nos dias mais frio do ano, quando a temperatura pode diferir-se até -2°C para menos, da próxima capital Cuiabá.

Geografia

Localiza-se a uma latitude 15º27'38" sul e a uma longitude 55º44'59" oeste, estando a uma altitude de 811 metros. Sua população estimada em 2010 era de 17 799 habitantes. Possui uma área de 6249,44 km². É o segundo município mais alto de Mato Grosso.

Clima

O clima de Chapada dos Guimarães é o tropical (Aw). No início da primavera começa o período chuvoso que se estende até o início de abril, que é o período de calor. A partir deste período, no outono, inicia-se gradativamente a estiagem, que se fortifica no inverno. É nestas duas estações que as frentes frias e incursões polares mais significativas do ano chegam à região. O clima passa a ser frio à noite e ameno/pouco quente durante o dia. As geadas são raras, registrando-se a cada cinco anos. Temperaturas negativas são muito raras, em média uma a cada dez anos. Chapada dos Guimarães possui o recorde de segunda menor temperatura do estado de MatoGrosso , -4,6°C no dia 18 de julho de 1975, atrás apenas de Cáceres.


História DA CHAPADA DOS GUIMARÃES

 

O bandeirante paulista, Pascoal Moreira Cabra, chegou em Cuiabá no ano l718, no ano seguinte funda-se a "Vila do Nosso Senhor do Bom Senhor Jesus de Cuiabá" e em 1720, um dos integrantes de sua bandeira chamado Antônio de Almeida Lara sobe a serra de Chapada com a desculpa de caçar perdizes, quando na realidade estava disposto a encontrar um local para construir uma fazenda.

Antônio de Almeida Lara sabia da proibição que as cortes portuguesas faziam em relação a ocupação e a aberturas de fazendas em região de garimpo.

 

Os portugueses não queriam a abertura de fazendas, pois iriam tirar trabalhadores do garimpo gerando impostos a Portugal. Além disso, os produtos gerados pelas fazendas iriam concorrer diretamente com as "monções" de abastecimento que eram monopólios dados a determinadas companhias de comércio. Essas companhias detinham a exclusividade com o comércio regional, abastecendo com víveres, óleo, sal e outros produtos importantes para a sobrevivência dos garimpeiros, que eram trocados pelo ouro produzido.

 

O governador de São Paulo, naquela época, era Rodrigo Cesar de Menezes e havia delegado aos bandeirantes o poder para representar a burocracia portuguesa e fazer aplicar as leis. Além de coletar os impostos, deu a liberdade necessária para a construção de várias fazendas na região do garimpo, sendo a primeira fazenda de cana de Mato Grosso a fazenda “Burity Monjolinho” exatamente onde hoje e a Escola Evangélica de Burity.

 

Antônio de Almeida Lara armou seis canoas e foi para a região de São Paulo em busca de mudas de cana de açúcar, voltando seis meses depois com as mudas, que logo foram plantadas em sua fazenda.

A cachaça produzida no engenho foi de grande serventia para a população já bastante sofrida pelas pestes e malária que assolavam a região. A cachaça do Buriti servia para amenizar o sofrimento.

 

A produção de produtos dessa região tornou-se mais importante ainda, quando os índios Paiaguás, exímios guerreiros, confederaram-se com os Guaicurús, índios cavaleiros que habitavam o sul do Pantanal e fecharam a passagem do rio Paraguai para os brancos num período de 1731 até 1737, impedindo assim o abastecimento feito pelas monções.

 

Com o fechamento dessa passagem pelos índios a população sitiada teve que sobreviver da caça e dos produtos produzidos pelas fazendas clandestinas. Este isolamento só foi terminado após mais uma vez terem desobedecido a ordens portuguesas de não abrir estradas na colônia para dificultar o trânsito dos produtos fora do monopólio português.

 

A nova estrada ligou Cuiabá até a cidade de Goiás Velho passando pela Chapada dos Guimarães, chegando então o primeiro gado vacum na região. Mais tarde os índios Paiaguás foram dizimados, na sequência os índios Caiapós. A cidade de Chapada era toda cercada pôr muros de pedra canga para repelir ataques indígenas.

 

A rainha de Portugal, D. Maria, percebendo que os impostos não chegavam a Portugal, nomeou uma pessoa para vir fazer a "derrama", cobrança de impostos à força. Um baú cheio de ouro foi enviado a Portugal, quando o baú foi aberto só havia pedras comuns. A partir deste fato, Mato Grosso foi desmembrado da Capitania de São Paulo.

 

A corte nomeia um governador português que chega a Cuiabá em 1751 trazendo em sua comitiva padres Jesuítas. Livros revelam que os índios eram outra fonte de renda para os bandeirantes, pois São Paulo era uma capitania pobre e tinha dificuldade em adquirir o caro escravo negro, sendo que, o índio era vendido pôr um terço do preço do negro, tornando um forte concorrente aos negócios portugueses.

A primeira missão Jesuíta de Mato Grosso foi num local onde hoje e denominado de Aldeia Velha, distante cerca de três quilômetros do centro de Chapada, foi dirigida pelo padre Estevão de Castro. Na missão foi construída uma igreja coberta de palha e altar forrado com papéis pintados com a imagem de Nossa Senhora de Santana do Sacramento ladeada de Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Assis. Em 1759 o Marquês de Pombal que governava o Brasil delegado pelas cortes portuguesas expulsou todos os Jesuítas do Brasil pôr causa das missões do Sul do Brasil que ameaçavam sublevar-se ao governo português, deixando a aldeia de "Santana" abandonada, dispersando os índios que aqui moravam.

 

Em 1778 o Dr. José Carlos Pereira um Juiz de Fora de Cuiabá ao subir a serra deparou-se "com as condições deploráveis para a celebração dos ofícios divinos" da capela da antiga missão e reúne condições para erigir em tempo recorde uma nova igreja, distante cerca de meia légua da original, muito bonita e feita de taipa pilada sendo inaugurada em julho de 1779. Uma procissão transportou as imagens para a igreja nova, transferindo a cidade para a nova localidade.

 

Em l782 a cidade deixa de chamar-se Chapada de Santana e passa a chamar-se Guimarães (nome de uma cidade do norte de Portugal), em respeito a uma lei que obrigava mudar os nomes de localidade na região para diferenciar das terras da Espanha. Apenas no século XX, colocou-se "dos Guimarães" o que daria uma falsa idéia de uma suposta família Guimarães que teria a propriedade da região.

 

Engenhos

Muitos engenhos vão instalar-se em Chapada tornando a região importantíssima para o abastecimento local e terras da Espanha em troca da prata espanhola, que era contrabandeada para Portugal. No final do século XIX justificou-se a construção de uma estrada de ferro ligando a região da Lagoinha no interior de Chapada até Cuiabá para o escoamento da produção.

 

Após a guerra do Paraguai, os soldados voltaram com a peste da varíola ou bexiga que vai dizimar quase um terço da população chapadense. Em 1888 com o fim da escravidão, Chapada entra na mais profunda decadência, principalmente por não conseguir fixar os imigrantes europeus na região, por causa do clima e pela quantidade de doenças e mosquitos.

Chapada entra no século XX com apenas 10% da população que tinha no século XIX. A fazenda Buriti, já abandonada, é vendida por um preço bem abaixo do mercado aos presbiterianos norte americanos que saem de Salvador-BA no lombo de burros para estabelecer a primeira missão evangélica do Brasil Central. Estabelecendo em l923, a Escola Evangélica do Buriti, que durante muito tempo foi um colégio técnico agrícola em regime de internato, formando meninos e meninas para uma vida no campo.

 

Apenas na década de 1960, com o inicio da mecanização da agricultura começam a abrir os campos para agricultura. Nesta época, o município de Chapada era o maior do mundo, com mais de 204 mil KM quadrados, maior que a Alemanha antes da unificação, indo ate o limite com o Pará na Serra do Cachimbo, posteriormente desmembrado. Durante a década de 70, a expansão da pecuária estimula a criação de uma rodovia asfaltada entre Cuiabá e Chapada.

 

No final dos anos 70 o asfalto a televisão e o telefone interligam Chapada com o mundo. Nesta época, a cidade tinha pouco mais de mil habitantes. Hoje Chapada dos Guimarães conta com 18 ml habitantes, desses, 10 mil na zona urbana. Segundo a prefeitura, em 2011, Chapada possuía 1886 casas de veraneio e todo fim de semana recebe em torno de quatro mil pessoas.

 

Imagem Nossa Senhora de Santana

 

 

Alguns autores tem atribuído aos jesuitas a construção da igreja e até mesmo aventado a hipótese de colaboração de mão de obra indígena, por eles preparada, na feitura dos retábulos e de mais obras de talha.

 

A tradição diz que os seixos que formam o adro da igreja foram trazidos do Coxipó a grade distância e serra acima, nos ombros dos indios da missão.

A povoaçã (oficial) de Chapada dos Guimarães teve origem na Missão de Sant'Ana, fundada em 1751 pelo jesuita Estevão de Castro, que havia chegado na região com o primeiro governador da capitania, Dom Antonio Rolim de Moura. Seu primeiro assento foi no local denominado Aldeia Velha. Ali foi erigida uma capela coberta de palha, na qual armaram um altar e forraram de papéis pintados, onde colocaram a imagem da Senhora Sant'Ana com a Virgem no meio, e nos lados, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier.

O padre Castro permeneceu dirigindo a missão da Chapada dos Guimarães até 1759, quando foi obrigado a retirar-se por ordem da Corte que determinava a expulsão dos jesuitas. As aldeias foram elevadas a paróquias e, assim, a igreja de Sant'Ana passou a ter prerrogativas de matriz.

Em 1778, tendo ido em diligência à Chapada dos Guimarães, o juiz de fora de Cuiabá, Dr. José Carlos Pereira, teve ocasião de ver a "palhoça, na verdade indecentíssima" em que se celebravam os ofícios divinos e que servia de matriz. E, "movido de fervoroso desejo", concebeu o plano de construir uma grande igreja. Abaixo, a planta original da igreja.

Regressando a Cuiabá, começou a tratar de conseguir meios para levar a cabo seu projeto. Muitos tentaram dissuadi-lo, alegando a avultosa quantia de ouro necessária à obra, "para a qual não havia nem um vintém". Além disso, "também corria que na dita missão não havia artífices que pudessem trabalhar nela, nem mesmo ainda aprendizes", e que para "os mesmos indios que houvessem de socar as paredes, que nesta região são de terra pilada, não havia na dita missão mantimento algum para sustento, porque no ano anterior não tinham feito roças."

Tem se aí, portanto, que a colaboração dos indígenas só podia limitar-se ao trabalho de socar a taipa nas paredes.

No ano de 1779, "depois da ultima oitava da Páscoa", o Dr. José Carlos Pereira voltou à Chapada dos Guimarães acompanhado de vários artífices e verificou pessoalmente a existência de madeiras apropriadas e suficientes para a obra, nas matas da região.

Preparou todo o necessário e voltou à missão em princípio de maio e "começou a obra com tanta atividade, fervor e excesso, que por todo o mês de julho ficou concluída uma famosa igreja coberta de telha, rebocada e caiada, com capela-mor, sacristia e casa para os párocos, pregada à mesma igreja."

Nessa construção ele "empregou o seu desvelo, a sua fadiga, o seu cuidado e muita parte de sua fazenda."

No dia do Santo Inácio de Loyola, 31 de julho, pela manhã, a igreja foi benzida com toda a solenidade do ritual romano pelo vigário da vara, José Correia Leitão, que também rezou a primeira missa.

À tarde houve solene procissão que transladou para a nova igreja as imagens da antiga capela. As três foram colocadas no altar-mor, o único até então construído.


A igreja foi, portanto, construída quase 20 anos depois da expulsão dos jesuitas. Da primitiva palhoça só foram para a nova igreja as imagens: Santana, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier.


No dia seguinte, 01 de agosto, realizou-se a festa de Santa Ana e a cerimônia de da igreja à padroeira. Ficaram expostos de cada lado do arco da capela-mor os retratos dos soberanos reinantes, D. Maria e Dom Pedro I, que a câmara municipal de Cuiabá havia encomendado para colocar na sala das sessões. (...)


Os festejos profanos constataram de "uma excelente cavalhada que satisfez muito aos mirones e outros festins de representação."


O Dr. José Carlos mandou vir depois do Rio de Janeiro uma nova imagem de Santa Ana com cinco palmos de alto, tendo a Virgem do lado esquerdo e na mão direita uma custódia de prata dourada para expor o Santíssimo, "cuja colocação até aquele dia não havia e foi um dos principais móveis de sua devoção." Foi esse o motivo da denominação de Santa Ana do Sacramento, dada à igreja.

Com as chuvas que caíram na Chapada dos Guimarães e, considerando que o frontispício não poderia resistir sendo de taipa, resolveu reconstruí-lo de pedra tapanhucanga.


Aproveitou também a oportunidade para ampliar o edifício. Levantou duas torres na fachada e acrescentou um corredor de cada lado da nave. Internamente forrou a igreja de tábuas "por cima e por baixo", fez três altares de retávulo e três ordens de grades - para o arco da capela-mor, para o cruzeiro da igreja e para o coro. Fez ainda tribunas, confessionários e guarda-pó, "por estar aquela igreja com a frente para o Norte, de cujo vento é muito açoitada."


A estas informações das Crônicas do Cuiabá e do Compnêndio Histórico Cronológico podemos acrescentar a fornecida por Pizarro e Araújo, de que o Dr. José Carlos aproveitou a oportunidade da reconstrução do frontispício para "aumentar com vinte palmos mais o comprimento do seu corpo."


Em 1781, tendo deixado o cargo que exercia, demorou-se o Dr. José Carlos ainda em Cuiabá para encaminhar a conclusão da igreja da Chapada dos Guimarães e também da de São Gonçalo (Cuiabá).


Na Chapada dos Guimarães já estava concluída "de todo a obra projetada e até a do excelente adro que lhe fez, todo empedrado de seixos roliços conduzidos em bestas desde o rio Coxipó, que dista da missão seis léguas e com o inconveniente de subir a serra."


Entretanto, como lhe faltara "o douramento dos altares, arco e tudo o mais que é de talha, assim como a pintura de tudo o que se acha em forro liso, não sossega enquanto não dá as providencias para sua efetiva conclusão."


Por essa época achava-se em Cuiabá, trabalhando no douramento da matriz, o mestre dourador e pintor João Marcos Ferreira, que viera das minas de Goiás. Aproveitou a ocasião o Dr. José Carlos e contratou com ele todo o douramento e pintura de que precisasse a igreja de Chapada dos Guimarães, "de que logo se lavrou escritura pública."

Teve de esmola para essa obra 64 oitavas de ouro que legou em testamento o padre João Alves Torres, pároco da missão, que falecera em abril daquele ano (1781), e que já em vida havia dado de esmola para a mesma 400 oitavas de ouro. O padre Francisco Xavier Leite de Almeida deu para o douramento 780 oitavas por lhe haver o Dr. Carlos conseguido o provimento nessa igreja, evitando assim que fosse mandado para São Luiz da Vila Maria do Paraguai.



Em fevereiro de 1783, novamente, a chuva foi tão forte em Chapada dos Guimarães, que fez cair por terra "a parede da capela-mor que fica por detrás do retábulo do altar, aquela mesma em que o dito retábulo se firmava; porque, como fica dito, da parte sul donde no presente ano vinham as maiores tempestades e forças d'água, não puderam resistir ao ímpeto delas."

O novo juiz de fora de cuiabá, Antonio Rodrigues Gaioso, foi a Chapada dos Guimarães examinar o estrago e, "considerando o total desamparo da missão, porque os indios e seus habitantes são, como todos sabem, capazes para destruir e não para conservar", pediu esmolas para o conserto, "que concluiu e ficou na verdade muito bom; porque não só lhe fez parede no lugar da caida, mais grossa e bem mais segura, como também levantou outra mais adiante com as mesmas circunstâncias da primeira, e lhe correu telhado da cumieira da capela-mor, que veio fazer coirada sobre a segunda, de sorte que hoje as águas do sul de forma nenhuma chegam a própria parede da igreja.

Uma última notícia que interessa à história da igreja de Chapada dos Guimarães encontramos nas Crônicas do Cuyabá - quando o Dr. José Carlos Pereira, na viagem para o Reino, chegou a Ararituaguaba, encontrou ali, por coincidência, a nova imagem de Sant'Ana do Sacramento que havia mandado vir do Rio de Janeiro, e que estava aguardando monção para Cuiabá.


A maior parte da documentação da igreja de Santa Ana perdeu-se ou extraviou-se. Entretanto a Casa da Ínsua - solar da família Albuquerque em Portugal - guarda os dois preciosos projetos setencionistas. O "prospecto da igreja da Aldeia da Chapada", que representa os alçados laterais e principal da primeira construção (1779) e o "prospecto da igreja Matriz da Senhora Santa Ana do Sacramento", que representa os alçados lateral e principal e a planta do projeto de 1780.

Lâmpada de prata


A igreja de Santa Ana sempre despertou a atenção dos viajantes que passaram pela Chapada dos Guimarães. O desenhista da expedição Langsdorff, Hércules Florence, que ali esteve em 1827, teve dela a seguinte impressão: "A acanhada igreja nada apresenta de notável no exterior. Interiormente, porém, se bem decadente, é, guardadas as proporções, a mais rica de toda a província em ornamentos e baixos relevos dourados. Ninguém pensa, por certo, encontrar tais restos de riquezas numa decadente aldeia da província de Mato Grosso."


Há ainda uma imagem de São Miguel Arcanjo e outra de São José de botas, colocadas nos dois pequenos altares que ladeiam o arco do Cruzeiro. Há três belas lâmpadas de prata, uma diante de cada altar, e um conjunto de prata de coroa, cetro e salva das festas do Divino Espírito Santo.

Acima:  São Miguel Arcanjo; abaixo: São José de botas, escultura que retrata o santo com vestes de bandeirante.

Grande parte da barra de azulejos portugueses do século XVIII que contornava internamente toda a igreja conserva-se. Causa admiração ter sido importado, em época remota, através dos longos e trabalhosos caminhos do sertão, material tão quebradiço e difícil de transporte.


A igreja de Santana, como é chamada hoje, foi a primeira a ser tombada como patrimônio histórico em Mato Grosso, em 1957.Após o tombamento as intervenções na igreja de Santana do Sacramento passaram a ser controladas e executadas pelo Iphan. Três grandes obras de restauração foram realizadas no templo: uma em 1977, outra entre 1994 a 1996 e a mais recente em 2008. Em 2009 a igreja passou por uma pequena restauração e já está aberta a visitação.


Fonte: livro de João Eloy de Souza Neves, "Chapada dos Guimarães, da descoberta aos dias atuais" – 1979

site: http://www.chapadadosguimaraes.tur.br

 

Histórias de Nossa Gente

As pessoas descritas abaixo deram e dão a sua contribuição para transformar socialmente, culturalmente e financeiramente a sociedade mato-grossense. Cada uma de sua maneira participou e participa da vida de sua cidade e do seu Estado.  São resumos e exemplos de vida que deram e dão sua contribuição para a transformação social desse país.

 

Thermosina Siqueira Lopes da Costa, carinhosamente conhecida como Dona China, a primeira e até agora a única mulher prefeita de Chapada dos Guimarães. Nascida no Coxipó do Ouro, Distrito de Cuiabá, no dia 28 de julho de 1931. Foi vereadora por dois mandatos. Pai chapadense e mãe cuiabana. Em 1970, já casada e mãe de três filhos, foi eleita prefeita numa época em que Chapada era o maior município do mundo em extensão territorial, 204.304 m², fazia divisa com o estado do Pará.

 

Em sua gestão foi construída a Escola Rafael de Siqueira (pai de Thermosina) e o asfalto da rodovia Emanuel Pinheiro, que liga Cuiabá à Chapada. Trouxe a primeira cabine de telefone para a cidade. Hoje, aos 81 anos (março de 2012), ainda trabalha na prefeitura de Chapada.

 

A empresária, comunicadora e promotora cultural, Maria Antonieta Ríeis Coelho, que em 1969 foi à responsável pela condução da implantação e instalação da televisão em Mato Grosso, hoje TV Centro América. Foi com certeza uma das primeiras promotoras culturais do Estado, valorizou nossa cultura e descobriu talentos. Responsável pela formação dos primeiros entrevistadores e jornalistas televisivos do Mato Grosso.

 

Divulgação

Lígia Borges Figueiredo nasceu na cidade de Rosário Oeste, no Distrito de Bauxí, em 1904. Foi eleita em 1946, a primeira prefeita de Mato Grosso, de Rosário Oeste. A principal obra de sua administração foi a construção da Usina Hidrelétrica do Tombador, dentre outras. Por sua dedicação as carentes e necessitados era conhecida como a “Mãe dos Pobres”.

 

 

Divulgação

Já a primeira deputada do Estado de Mato Grosso, foi Oliva Enciso, que nasceu em Corumbá (hoje, Mato Grosso do Sul) em 1909. Foi eleita em 1958, pela UDN (União Democrática Nacinal).

 

 

Primeira mulher a ocupar uma cadeira numa Academia de Letras foi Ana Luísa Prado Bastos. Nasceu em 1898 em Cuiabá, assumiu a cadeira de n°27 durante seis décadas. Faleceu aos 87 anos.


Divulgação

Shelma Lombardi de Kato, primeira mulher na magistratura de Mato Grosso, primeira mulher desembargadora e corregedora Geral da Justiça. Em 1967, Shelma veio para o Mato Grosso e, no ano de 1969 surge o concurso para magistrado, onde foi aprovada, tornando-se a primeira magistrada do Brasil.

 

 

Líder Quilombola- Teresa Benguela, mais conhecida como Rainha Tereza do Quariterê, foi líder rainha do quilombo Quariterê durante duas décadas no século XVIII. Liderou um grupo de negros e índios instalados em Cuiabá.

 

A irreverente Maria Taquara, cuiabana da década de 40 e 50, com uma certa debilidade mental, que teria sido causada pela perda precoce de seu filho. Era pobre, morava num barraco, num grande terreno, situado onde hoje é o Shopping Goiabeiras. Quando todas as mulheres do país usavam saias e vestidos ela ousou desfilar de calças compridas de boca larga. Seu comportamento incomodava tanto a sociedade que foi presa sob a alegação de que não se vestia de forma adequada. Só foi solta quando uma estrangeira desembarcou em Mato Grosso, usando um modelo safári, calça e camisa.

 

Maria de Arruda Muller

Divulgação

Maria de Arruda Muller nasceu em Cuiabá, a 9 de dezembro de 1898, e teve uma vida dedicada as ações culturais, educacionais, filantrópicas e sociais de sua região. Concluiu seus estudos em 1915 pela Escola Normal “Pedro Celestino”, e posteriormente passou a exercer o magistério. Fundou o Abrigo dos Velhos e das Crianças em Cuiabá, foi fundadora também da Legião Brasileira de Assistência em Mato Grosso. Foi uma das fundadoras do Grêmio Literário “Júlia Lopes” e da Federação Mato-grossense pelo Progresso Feminino; e membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Mato grosso. Por sua atuação cultural, recebeu títulos de países estrangeiros. A acadêmica colaborou com inúmeros jornais e revistas da época, entre eles: O POVO e A VIOLETA.


MARIA BENEDITA DESCHAMPS RODRIGUES

(DUNGA RODRIGUES)

Nasceu em Cuiabá no dia 15 de julho de 1908. Diplomada em piano e harmonia pelos Conservatórios de Mato Grosso e Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, obtendo o registro no Instituto Villa-Lobos. Diplomada em contabilidade, fez inúmeros cursos de extensão, desde história da arte até sociologia educacional. Lecionou piano no Conservatório Mato-grossense de Música e no Conservatório Musical de Mato Grosso. Criou e lecionou no Conservatório Dunga Rodrigues. Aposentada como agente didático da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).


PADRE RAIMUNDO C.POMBO MOREIRA DA CRUZ

Foto: Demóstenes Milhomen

Nasceu em Cuiabá, a oito de dezembro de 1913. Optou pela carreira eclesiástica, tendo se engajado na ordem Salesiana. Foi professor em diversas áreas, além de mestre, dedicou-se às artes literárias e teatrais. Padre Raimundo faleceu no dia 30 de julho de 1996, em Cuiabá.


 

 

BARÃO DE MELGAÇO

Gravura de Augusto Leverger, feita por Bartolomé Bossi (1865).

Augusto João Manuel Leverger, o futuro Barão de Melgaço, nasceu em 30 de janeiro de 1802, em Saint Malo, na Bretanha, terra de navegadores. Assim como seu pai Mathurin Leverger, João Manuel foi um homem do mar. Em 1819, atravessou o Atlântico, acompanhado do pai, rumo à América do Sul. No caminho, o navio naufragou, na embocadura do Prata. Ambos se salvaram, João Manuel ficou em Montevidéu, enquanto seu pai seguiu para Buenos Aires. João começou a velejar pelos mares do sul sendo que, em 1822, no início da luta pela independência do Brasil. João pediu dispensa de seu posto, pois não queria lutar contra o Brasil, e se mudou para Buenos Aires. Em 1824 ele se incorporou a Marinha Brasileira, no posto de 2oTenente. Ele enfrentou várias batalhas, sempre com muito sucesso, subindo de posição. Ele se aposentou e foi morar numa chácara no Coxipó (Cuiabá). Mas, com a ocupação paraguaia, Cuiabá tinha receio de uma invasão. Com isso, Leverger deixa o retiro no Coxipó, apresenta-se ao Presidente da Província e assume como Comandante da Guarda Nacional em Melgaço. Com sucesso Leverger, aos 63 anos, recebeu as honras de Barão de Melgaço.


ANTÔNIO CORRÊA DA COSTA

Divulgação

Descendente de uma família de políticos mato-grossense se formou em engenharia pela Escola Central de Engenharia, hoje Politécnica do Rio de Janeiro. De volta à Cuiabá, foi professor de matemática, foi fundador e dirigiu o Externato Mato-grossense. Governou o Estado de Mato Grosso, num momento delicado, pois eram os primeiros anos após a vigência do regime republicano. Ele foi o segundo presidente constitucional de Mato Grosso. Seu governo foi marcado por importantes intervenções.


ISAAC PÓVOAS

Nasceu em Cuiabá, a quatro de janeiro de 1886, faleceu em outubro de 1970. Bacharel em Ciências e Letras foi professor e diretor de várias instituições. Dirigiu a Tipografia Oficial, foi chefe de polícia, seguindo-se na de secretário do Interior, Justiça e Finanças. Foi prefeito de Cuiabá. Político, jornalista e poeta. Foi um dos poucos escritores mato-grossenses que estudou nosso folclore.

 

JOAQUIM DUARTE MURTINHO

Divulgação

Nascido em Cuiabá, em sete de dezembro de 1848. Concluiu o curso secundário no Rio de Janeiro. Cursou a Escola Central que se destinava a matemática, ciências físicas e naturais e disciplinas de engenharia civil. Mas, acaba estudando medicina, onde se formou em 1873, defendendo a tese sobre o estudo patológico, em que sustentava os fundamentos da homeopatia. O médico ia progressivamente assumindo o lugar de engenheiro. O seu lado científico teve destaque internacional, dando-lhe a posição de Homem de Estado. Em 1889, dá-se o advento da república e Joaquim Murtinho é o político de alta projeção, participando como senador por Mato Grosso da primeira Constituinte Republicana, que resultou na Constituição de 24 de fevereiro de 1891, substituindo a do Império de 1824.

GWS Logomarca CM Chapada Blue

Av. Fernando Corrêa, Centro, n°. 763, CEP: 78.195-000
Câmara Municipal de Chapada dos Guimarães - Mato Grosso

Search